Vamos falar de gratidão. Talvez porque eu simplesmente esteja sufocando. Talvez porque seja realmente necessário falar. O mundo está cada vez mais cheio de pessoas enfeitadas e almas vazias. Eu diria ingratas também, principalmente. Tenho lá minhas dúvidas. Talvez só tenhamos desaprendido a agradecer. Mas, meu medo é que não saibamos o caminho de volta.

Antigamente as pessoas olhavam umas para as outras nos olhos. Hoje em dia, de cima para baixo em busca de algo que a faça se sentir soberana. Ou talvez em busca de algo que não a faça se sentir diminuta. Estamos sempre em busca de superar, não a nós mesmos, mas os outros e não importam os meios. Importa chegar o topo e topo se justifica. O topo justifica a ingratidão. Vivemos em uma ampla rede em que todos estamos conectados, mas a individualidade tem se sobressaído. Achamos que somos deuses de si e de todos. E esquecemos de estender as mãos.

Esquecemos de reconhecer que nada foi possível sozinho. Antes, estendíamos a mão para ajudar. Agora, estendemos para se certificar que o outro está a uma distância considerável…atrás de nós. Falamos mal de quem nos ajuda e (pasmem! ) admiramos aqueles que não se importam conosco. Será que está no DNA ser tão injusto, cruel e…ingrato? Ou é apenas uma modinha? Quando nos perdemos uns dos outros?

Nossas línguas tem sido rápidas para destruir e vagarosas em consertar o mal causado. Talvez porque palavras não voltam para a boca de quem as proferiu. Na verdade elas se alastram destruindo e ferindo por onde passam. E nós nunca teremos noção do que causam, até que um dia, as palavras de outra pessoa venham nos atingir. Então, veremos o quanto de maldade podemos espalhar. Um círculo vicioso em que parece não estarmos dispostos a ceder. Afinal, ninguém quer sair por baixo.

Aos poucos, percebemos que algo precisa ser feito. Mas, talvez o outro é quem deva começar. Sempre olhamos para os lençois sujos do vizinho no varal, quando na verdade, são as nossas janelas que estão sujas.

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